Nos anos 2000, no início da minha trajetória como comediante, eu criei uma “brincadeira” de dizer que “comida de camarim não engorda”.
Na época, eu via o camarim dos shows de stand-up como uma grande oportunidade de economizar grana com comida.
Qualquer tipo de “dieta” que eu estivesse praticando não valia no camarim.
“Não fui eu que pedi, não fui eu que paguei… então, não engorda”.
Essa falácia cômica – mas levada a sério – ainda ecoa no meu ser.
Mas esse padrão vem de algo que está muito além de comida.
É sobre o treinamento de empreendedor que recebi da vida: empreendedor tem que aproveitar as oportunidades.
Não pode deixar passar uma boa oferta – inclusive uma comida de graça no camarim, mesmo que não me faça bem.
“Cavalo selado só passa uma vez.”
De tanto aproveitar as oportunidades, me perdi cheio de iniciativas, projetos e sonhos – sendo que muitos deles não eram meus.
Pense numa coisa sem futuro: correr atrás de um sonho que não é seu.
Durante alguns anos, fiquei dividido entre os shows de stand-up e a empresa de cursos on-line de criatividade que estava surgindo e crescendo.
Um dia recebi uma ligação do canal de TV Comedy Central me convidando para ser o apresentador do novo programa (A Culpa é do Cabral) que eles iriam lançar no Brasil, após grande sucesso na Argentina.
Uau! Olha que grande oportunidade! Apresentador de televisão era o grande sonho de todo comediante!
Mas eu não sou “todo comediante”.
Eu sou eu!
Qual o meu sonho, de verdade verdadeira, no momento?
Meu corpo ainda estava na comédia mas minha alma já estava no universo da educação - sem negar a comédia, que sempre foi um grande tempero dessa nova jornada.
Dizer não para essa oportunidade na televisão foi um marco na minha vida.
Ali eu declarei que estava fechando um ciclo de quase 10 anos como comediante, e oficialmente abrindo um novo ciclo como empresário de educação e professor de criatividade.
Quando a gente se move demais pelas oportunidades que surgem, podemos virar oportunistas – no sentido pejorativo mesmo.
É importante saber desaproveitar algumas oportunidades.
As tendências, o externo, o mercado hão de ser considerados, claro. Mas eles só podem ter, no máximo, 49,9% das suas “ações".
Você – o seu sentir mais profundo, além da lógica – tem que ser o majoritário
A firmeza do teu Não define a potência do teu Sim.
Ouve aí o pagode que fiz sobre desaproveitar oportunidades
MG
3 recados:
Há algumas horas cheguei da primeira diária de estúdio com os cantores da banda Gunzito e os produtores musicais. Escolhemos já 7 músicas para o nosso primeiro álbum e gravamos uma prévia da música TUDO PASSA. Feliz de ver esse sonho musical se realizando ;)
Abriram vendas para as primeiras datas do meu espetáculo de teatro FÉ NO FLOW em São Paulo: dias 3 e 25 de abril. Já estou em processo de criação do meu novo espetáculo de teatro então esse vai ser o último ano de foco no FÉ NO FLOW. Vem assistir e re-assistir!
Ontem encerramos a edição 12 do nosso retiro O PONTO CEGO. Olha que massa esse comentário que Ricardo Basaglia (CEO da Michael Page) postou no Instagram. Próxima edição vai ser 21 a 24 de junho.
